Afastamento do prefeito Rodrigo Manga em Sorocaba ocorre durante operação da PF que investiga suspeitas de corrupção na saúde municipal. Entenda impactos na gestão pública.
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| Prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos) — Foto: Mike Adas/TV TEM |
Em 06 de novembro de 2025, Sorocaba, São Paulo, foi confirmada a decisão judicial que determinou o afastamento do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) do exercício da função por 180 dias. A medida ocorreu no contexto da Operação Copia e Cola, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades em contratos da área da saúde do município. Durante a operação, foram efetuadas prisões, entre elas a do empresário Marco Silva Mott, apontado como articulador de interesses privados junto à administração pública, prática que, caso confirmada, compromete o princípio da impessoalidade previsto na Constituição da República.
Em uma sociedade organizada sob regime democrático, o poder público deve atuar orientado pelo interesse coletivo. Quando agentes públicos utilizam sua posição para favorecer indivíduos ou grupos específicos, ocorre aquilo que se denomina desvio de finalidade, situação que compromete a legitimidade das decisões governamentais. O caso investigado em Sorocaba se baseia justamente nessa possível distorção: contratos destinados à saúde teriam sido influenciados por redes de relacionamento pessoal, em detrimento das necessidades reais da população.
Rodrigo Manga ganhou destaque nacional por sua presença intensa nas redes sociais, sendo reconhecido como o “prefeito tiktoker”. Seu estilo de comunicação priorizava a proximidade com os moradores e a produção de vídeos diretos, emocionais e espontâneos. Esse modelo se sustenta na construção do que se chama de liderança personalista, quando o governante se apresenta como figura central do processo político, acima ou à frente das instituições que deveria representar. Embora esse tipo de comunicação gere envolvimento popular, ele também pode enfraquecer a compreensão do papel do Estado como instituição permanente, que deve funcionar independentemente de quem ocupa o cargo.
A investigação atual revela um ponto essencial para qualquer sociedade democrática: a corrupção não é apenas um ato financeiro irregular; ela produz consequências concretas no cotidiano. Quando recursos públicos destinados à saúde são desviados, o impacto recai diretamente sobre a população: filas mais longas, falta de medicamentos, atraso em exames, diminuição da qualidade de atendimento. Ou seja, a corrupção não apenas gasta o que é público; ela retira direitos fundamentais.
Por isso, o combate à corrupção é, antes de tudo, uma defesa da eficácia das políticas públicas. Uma prefeitura existe para atender às necessidades coletivas — educação, saúde, saneamento, transporte, proteção social. Quando o orçamento é comprometido por interesses privados, essas políticas deixam de alcançar quem mais precisa. Assim, a corrupção não é apenas um ato ilegal; ela é um mecanismo que aprofunda desigualdades e fragiliza a confiança da população no Estado.
Com o afastamento de Rodrigo Manga, quem assume a administração municipal é o vice-prefeito Fernando Neto (PSD), que passa a responder pela continuidade dos serviços e pela manutenção da integridade institucional da prefeitura. Este é um momento no qual se exige transparência, prestação de contas e respeito aos princípios da administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
É importante lembrar que o afastamento não representa condenação definitiva. Ele é uma medida cautelar, adotada para que as investigações ocorram sem interferências. A conclusão do processo dependerá da análise das provas, do direito ao contraditório e da decisão do Judiciário. Isto é parte essencial do funcionamento da República: nenhuma autoridade está acima da lei, e todo acusado tem direito de defesa.
Contudo, o caso reafirma um princípio central da vida pública:
O poder concedido pelo povo deve sempre retornar ao povo.
Quando o interesse privado invade o espaço das decisões públicas, a democracia se enfraquece.
Quando a corrupção interfere na gestão, os direitos deixam de ser garantidos.
Por isso, fortalecer a administração pública é fortalecer a própria sociedade.
E combater a corrupção é defender a vida, a dignidade e o futuro do Brasil.
